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O que acontece se o governo cortar gastos

Cortar gastos é o governo gastar menos com alguma área: aposentadorias, saúde, educação, obras ou os custos dos próprios políticos. Umas coisas melhoram, outras pioram, e boa parte do gasto não muda só com a vontade do presidente.

Revisado em 14/10/2026.

E você com isso?

Depende de onde vem o corte. Cortar benefícios tira dinheiro de quem recebe: aposentados, pessoas com deficiência, famílias do Bolsa Família. Cortar saúde, educação e segurança diminui o serviço que chega a você. Cortar obras adia estradas, escolas e hospitais.

Em troca, o governo pega menos dinheiro emprestado. Com a dívida crescendo menos, os juros podem cair, e o crédito tende a ficar mais barato.

Por que cortar mexe na economia

Governo gasta menos → quem recebia esse dinheiro compra menos → a economia cresce menos no começo.

Governo gasta menos → precisa pegar menos emprestado → a dívida cresce menos, e os juros tendem a cair.

Quanto a economia perde com cada real cortado depende do momento. Se as empresas já vendem tudo o que conseguem produzir, ela perde pouco. Numa crise, com fábricas paradas e muita gente sem emprego, perde mais.

Também depende de onde se corta. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do governo federal) estimou, em 2013, que cada R$ 1 a mais no Bolsa Família virava R$ 1,78 em compras e produção logo depois, porque quem recebe gasta quase tudo. Cada R$ 1 de aposentadoria do INSS virava R$ 0,52. Essa conta vale quando há fábricas e trabalhadores parados. No simulador, você escolhe qual estimativa usar.

Quem decide

O presidente propõe o Orçamento, mas quem aprova é o Congresso.

Boa parte do gasto tem um mínimo garantido pela Constituição. Nenhuma aposentadoria do INSS pode ser menor que o salário mínimo. O mesmo vale para o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de baixa renda. Também há mínimos para saúde e educação. E as emendas parlamentares, o dinheiro do Orçamento que deputados e senadores decidem para onde vai, são obrigatórias.

Mexer nesses mínimos exige mudar a Constituição: 3 em cada 5 deputados e 3 em cada 5 senadores precisam aprovar, em duas votações na Câmara e duas no Senado.

Outras regras mudam com uma lei do Congresso, sem mexer na Constituição: quem tem direito ao BPC e ao Bolsa Família, e quanto o salário mínimo sobe, o que puxa as aposentadorias e o BPC. Em dezembro de 2024, por exemplo, uma lei limitou o aumento do salário mínimo acima da inflação até 2030.

Só uma parte menor o governo consegue cortar sozinho: obras e as despesas do dia a dia dos ministérios, como luz, aluguel e material.

Os dois lados

Quem defende cortar lembra que a dívida do governo estava em 78,7% do PIB em 2025, perto de 80% de tudo o que o país produz num ano. E que os juros da dívida somaram cerca de R$ 1 trilhão naquele ano, ou R$ 393 por pessoa ao mês. Gastar menos tende a abrir espaço para juros menores, que ajudam quem pega empréstimo e as empresas que querem investir.

Quem é contra cortar lembra que, sem contar os juros, as contas públicas fecharam 2025 só R$ 55,0 bilhões, ou R$ 21 por pessoa ao mês no vermelho: quase todo o rombo veio dos juros. Lembra também que o corte cai sobre pessoas e serviços. No começo, a economia pode crescer menos e o desemprego subir. E cortar obras hoje pode custar crescimento depois.

No simulador: e se o governo cortasse 10% de todos os gastos?

Conta do simulador, não previsão. Onde os economistas discordam, ele usa a suposição do meio.
Se nada mudasseCortar 10% dos gastos
Dívida do governo em 2030, em % do PIB101%94%
Selic em 203015%14%
Desemprego em 20305,6%6,0%
Renda das famílias em 2030, comparada com "se nada mudasse"base da comparação−2,6%

PIB (Produto Interno Bruto) é tudo o que o país produz num ano. Dívida de 100% do PIB quer dizer que o governo deve o mesmo que o país inteiro produz em um ano.

Cortar 10% de tudo tira R$ 249 bilhões por ano dos gastos do governo: R$ 97 por pessoa ao mês, ou 2% de tudo o que o país produz. No simulador, a dívida de 2030 fica menor e a Selic cai. Em troca, o desemprego sobe e a renda das famílias cai, porque mais da metade do corte sai de aposentadorias e benefícios. Numa renda de R$ 3.000 por mês, são cerca de R$ 79 a menos. Na vida real, mexer nesses mínimos garantidos (aposentadorias, BPC, saúde e educação) exigiria mudar a Constituição, e a maior parte da segurança pública é paga por estados e municípios.

Mude as decisões e as hipóteses no simulador e veja o efeito ano a ano. Como o modelo calcula e onde ele erra: Sobre o simulador.

Fontes

Seu Governo

Simulador educativo da economia do Brasil, com os números de 2025. Projeto independente, sem ligação com partidos, candidatos ou governos.